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Este é meu resumo (de cabeça) de um livro que li há pouco tempo: Os Gêneros Literários: Seus Fundamentos Metafísicos, do professor Olavo de Carvalho. Neste ensaio ele apresenta inicialmente a discussão histórica sobre a existência dos gêneros literários e, se existentes, a sua natureza e essência (metafísica): desde suas categorias, o verso e a prosa, bem como seus subgêneros, ou espécies, em maior número ou até incontáveis, dependendo da linha que se seguir. Ele explica sobre a natureza da existência humana e seus limites cognitivos e de produção e expressão: o número, o tempo e o espaço. O professor desenvolve seu raciocínio de maneira lógica, demonstrando a natureza das categorias, dos gêneros e alguns de seus subgêneros. Sua tese é a que os gêneros literários não só existem mas que são arquetípicos, independentes do gosto de um algum contexto histórico mas, sim, expressões estéticas naturais.

A questão da Mente é muito interessante, e é importante lembrar que dependendo do paradigma, das crenças de quem escreve, a Mente é algo diferente. Aqui, como estamos tratando pela Filosofia à Maneira Clássica, o método é o Estudo Comparado, que é estudar o que dizem vários autores e procurar o que há em comum na análise e explicação deles. Pra isso, vou colocar o pouco que sei, pois é tudo o que posso por enquanto. Se você quiser contribuir, será ótimo!

Já pensou?Primeiro vamos localizar a tal Mente. Os Gregos diziam que o ser humano é constituído de três “partes”: Soma, Psique, e Nous. Pra facilitar, lembre-se do conceito de Psicossomático; algo que, a partir da Psique, reflete no corpo material. Então já temos entendido que Soma é relativo ao corpo material, e Psique… Bom, vejamos o Nous antes pra entender o meio-termo. Nous seria um conhecimento superior, uma inteligência pura, a intuição, a compreensão total das coisas, aquilo que Platão chamava de Mundo das Ideias, onde se encontram os arquétipos, as coisas de natureza divina! Nuossa, coisarada, né?! É! …

A Psique ficaria entre esses dois mundos, o material e o das ideias, o ideal. Daí que a mente seria o instrumento que nos possibilita relacionar as coisas divinas às materiais. Até poderíamos falar de Arte agora, enquanto a realização material de conceitos ideais. Só pra não deixar isso flutuando por aí, pensemos que a Arte legítima é aquela que “eleva o coração” de quem a experimenta. Por exemplo, eu tive sensações inexplicáveis quando fui à exposições de Picasso e de Salvador Dali. Também aconteceu quando assisti O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, ou mesmo Irmão Sol, Irmã Lua. Tomara que você já tenha passado por algo parecido. Tá, então a Mente seria o nosso instrumento de ligação entre o mundo material e o mundo perfeito.

Segundo estudamos na escola, os Hindus diziam que o ser humano é constituído de sete “corpos”, e não três, como entendiam os Gregos. É importante lembrar que não há certo e errado por serem descrições diferentes, pois estão falando da mesma coisa, que aí está e sempre é. Toda a Ciência é assim, todo mundo estudando a mesma coisa, a Natureza, tentando explicá-la de alguma maneira. O problema é… peraí, já falamos disso. Então, os Hindus entendem que temos sete corpos, o Material, o Vital, o Emocional, o Racional, o Inteligente, o Intuitivo, e o Mágico. Os dois primeiros seriam o Soma grego, os dois próximos estariam para a Psique, e, adiante, o Nous.

Tá, agora aos “problemas”. Como os corpos superiores, do Nous, são por natureza abstratos, subjetivos, não são facilmente medidos, descritos em números, ou testados pela ciência atual. Calma, já explico. Como estão para além da matéria física, seus estudos podem ser chamados de Metafísicos. Como vimos, a Mente serviria como passagem do mundo divino ao material, e daí pode ter vindo o Racionalismo, que dizia que o ser humano poderia entrar em contato com Deus, com a Verdade, somente pelo uso da razão. Será que isso está errado? Eu acho que não. Porém, colocando dessa maneira, os corpos superiores, o Nous grego, foram deixados de lado, já que ninguém os entendia mesmo. É aí que o problema aumenta. Com a Mente se estudam as coisas, e só considerando o que podia ser medido pela Matemática, a Ciência se foca no mundo material. E aí aparece o tal Positivismo, e o que não é material “não existe”, e tudo vira objeto de investigação e, com isso, controle. Só que as coisas não funcionam assim. Exemplo, lembra quando estudamos Física no colégio, onde as contas desprezavam o atrito, ou Em Condições Ideais? Pois é, a conta dá certo, mas na prática não bate, por que o atrito e a resistência do ar existem! Assim, sem considerar os corpos superiores, a conta dá certo, mas ficam lacunas, “elos-perdidos” nos estudos científicos.

Localizada a Mente, vejamos o que temos sobre ela. Somos animais racionais, ou homo sapiens. Muito bem. Razão entre dois números é a relação entre eles. Isso quer dizer que nossa mente relaciona as coisas que conhecemos e tira conclusões. Foi Aristóteles que começou a querer entender como funcionava esse processo de relacionamento na Mente, e criou a chamada Lógica. A Lógica seria um instrumento da Mente para relacionar as coisas e pensar. Agora, se cada um tem impressões diferentes das coisas, o resultado dessas relações será diferente. Mas como assim? Ué, gosto é como nariz, cada um tem o seu :)

Mas, mas… é que a Mente precisa dividir as coisas pra poder relacioná-las. Claro, seria impossível relacionar um coisa só com nada. Um sobre zero? Taí o motivo de não entendermos o tal infinito, ou o conceito de absoluto, aquilo que Tudo contém. Eu disse Tudo, tê-o-tú-dê-o-dô, Tu-do!  O Um sem Outro, pois se houvesse Outro, faria parte do Um. Diz aí, dá pra fritar um peixe na testa já? Hehe.

Bom, mas se a Mente divide o Todo em partes – uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa – temos que dar nomes pra elas. Cavalo, estrela, saudade, vazio, pé, Taís, lobo, beleza, beijo, são palavras que usamos pra entender as coisas divididas. Mas daí temos que concordar no que cada palavra quer dizer. Defina Ilha: uma porção de terra cercada de água por todos os lados! Defina Porção. Ahhhh! Defina Água. Defina Lado. Definir é dar fim, limites. Limitar conceitos com outros conceitos, que também precisam ser definidos! Mas, mas! É, essa é a fantasia da linguagem! Dá pra entender por que se discute tanto nessa vida? Pois é, a Mente usa palavras feitas de conceitos para pensar. A área da ciência que estuda o processo de significação é a Semiótica. Pode gritar um palavrão, se quiser!

Muito bem, vamos mais de leve agora. Respire fundo, enchendo do peito até a barriga e sinta o ar passando pelo umbigo. Mande o ar pra fora, passando pela coluna vertebral. É bom! Pode repetir quantas vezes quiser.

Pra finalizar, vejamos o ponto fraco disso tudo. A fraqueza desse processo é que o processo de significação, essa associação de conceitos e valores, depende daquilo que conhecemos. Se no corpo material somos aquilo que comemos, no corpo psicológico somos a informação que recebemos. Tá, tudo bem, e por quê isso é um ponto fraco? Por que os meios de comunicação de massa, a propaganda, os noticiários, os bons de papo, fazem e apresentam associações de valores por nós! Como assim? Abra a felicidade: Coca-Cola! Magazine Luíza, Vem ser feliz! Ahf, até o português é errado. Crack, nem pensar! Agora, não pense num macaco azul. Ahf. Cerveja = praia, mulher bonita de biquini… Entendi isso quando estava há dois anos sem assistir televisão. Um belo dia, com visita em casa, que queria assistir a novela, vi o personagem, que havia morrido, no “paraíso”, um campo de lírios. No dia seguinte, alguém falou sobre o paraíso, e o que foi que eu vi? O campo de lírios global!

Então, não é a Mente que é má ou ruim. Ela é um instrumento que deve ser alimentado de coisas boas, deve-se usar a crítica consciente para não deixá-la concluir maluquices baseadas na nossa própria ignorância. Não dá pra pensar sobre algo que não sabemos. Não se pode acreditar em verdades definitivas, a não ser a sua própria, que é do tamanho do seu conhecimento. Tendo isso em mente, entenderemos o socrático Só sei que nada sei. No caso, o homem mais sábio da Grécia, exatamente por que sabia disso!

No post passado estávamos desenvolvendo sobre as necessidades humanas, os problemas sociais, e a importância das profissões. Pra refrescar a memória, a ideia era que, logicamente, as profissões só existem por causa dessas necessidades e dos problemas sociais. Pense comigo: por qual outro motivo existiriam as profissões, se as pessoas não precisassem de nada para sobreviver, se o mundo não tivesse problemas, trabalhar pra quê?!

Essa é uma questão muito boa pra se gastar uns minutos de cachola. Também é uma ótima oportunidade de perceber que a mente não curte ser tão racional assim. Preste atenção, enquanto pensa nas profissões, como a mente resmungará e fará de tudo pra dar desculpas superesfarrapadas, sem a menor lógica, pra manter suas crenças atuais e fugir de pensamentos mais avançados. Alguém tem que vencer, sua Mente ou sua Consciência. Boa luta!

Uma coisa bacana de saber, e que pouquíssima gente sabe, é a diferença entre Alma, Espírito e Consciência. O termo Alma é tradicionalmente usado para nossa mente pensante, racional e lógica. Espírito é o termo usado para aquela estância superior, que não usa palavras, que todos têm e não precisa aprender nada, mas ser desenvolvida, Des-Envolvida! Vale dar uma procurada sobre o Mito de Glauco. A Consciência é o que liga os dois, é o caminho da Mente até o Espírito, que podemos usar para supervisionar, repito, SuperVisionar, olhar de cima, a Mente trabalhando. Usando a Consciência podemos evitar as armadilhas da Mente Pensante. Bom, esse assunto é uma curtição total mas não é o foco aqui. Se você quiser um post sobre isso, por favor, avise pelo link de Comentários, logo ali, abaixo do título.

De volta às profissões. O que me motivou a escrever esse novo post foi o exemplo que um amigo deu ontem, durante o churrasco da Boemia Filosófica, a turma da escola que combate os prazeres carnais lá no campo de batalha, hehe. Tá, o exemplo começou com a pergunta: Qual a diferença entre o ping-pong e o frescobol?! Pense um pouco. Vou dar uma pista: apesar das similaridades, os objetivos são diferentes. É aí que está o ponto. Pense bem! Lá vai, no ping-pong a ideia é dificultar a vida do adversário. Preste atenção nos termos, pois esclarecem bem. No frescobol a ideia é facilitar a resposta do seu parceiro!

Tendo que as profissões e o trabalho existem por causa das necessidades das pessoas e dos problemas sociais, e que o justo trabalho deve estar de acordo com a Natureza, parece mais lógico que sejam como o frescobol. Se fosse como o ping-pong, iriam atrapalhar ao invés de ajudar. Infelizmente é o que acontece por aí. Colocado por gente que quer ver o oco, a opinião pública acredita que bom mesmo é ser competitivo, ganhar do outro, ser vencedor, ter tudo pra si… isso me lembra o Mutley, que só agia depois de ganhar uma Medalha, medalha, medalha!

Aqui entram ensinamentos importantíssimos sobre o valor da praxis e do desapego à resultados. Mas, como não queremos dar o passo maior do que perna, vamos parar por aqui. Você deve ter percebido o tamanho da bronca durante a sua luta com a Mente, aquela do segundo parágrafo.

Se você ganhou a luta, já sabe o que é a sensação de Glória, aquela que sentiu quando a Consciência superou a Mente pensante, e deu mais um passo no caminho em direção ao Espírito. É bom, né!? Pois é. É essa a sensação que motiva o Filósofo à continuar no seu caminho.

Se sua Mente ganhou da Consciência, você deve ter sentido um certo cansaço repentino, uma sutil frustração bem lá dentro, e um pensamento de descaso, do tipo, Ah, pra quê pensar nisso, que confusão, eu não vou mudar a forma como penso! Tudo bem, é assim que acontece. Se você continuar praticando, muito em breve vai colocar a Mente no seu devido lugar: um instrumento que deve ser usado para analisar e resolver problemas, mas que não pode nos dominar. Mantenha-se firme e forte!

Ainda pra você que venceu a luta, a direção agora é refletir sobre o frescobol e a praxis, a prática pela prática, e o desapego à resultados. O frescobol é exatamente isso! Não há competição, mas colaboração, e o que se ganha é a melhora mútua dos praticantes. O que estou procurando é exatamente isso: quais profissões seriam semelhantes ao frescobol e diferentes do ping-pong? Help!